Querido e Devotado Dexter
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
"Essa lua maliciosa, esse Lúcifer loquaz, cujo clamor atravessa o céu vazio até os corações sombrios dos monstros da noite, chamando-os ao seu alegre playground. Quem ela chama, na verdade, é este monstro que está bem aqui, atrás do oleandro, malhado pela luz da lua que se filtra por entre as folhas, os sentidos alertas enquanto ele espera o momento certo de saltar das sombras. É Dexter no escuro, ouvindo os terríveis sussurros que se derramam, ofegantes, em meu esconderijo sombrio."
Querido e Devotado Dexter, página 11
É preciso calar o Passageiro das Trevas. Pelo menos durante algum tempo. Reconhecer a Necessidade e conviver com ela, sem satisfazê-la. Alguém no Departamento de Polícia de Miami reconheceu toda a falsidade por trás dos gestos cordiais e a vidinha pretensamente perfeita de Dexter. Alguém viu vestígios da Escuridão. Esse alguém era o sargento Doakes.
Dexter é um analista de borrifos de sangue da polícia de Miami. De dia. De noite, se torna um anjo justiceiro às avessas, matando com requintes de crueldade aqueles que são a corja da cidade: molestadores, pedófilos, estupradores e outros párias da sociedade. Mas não com a motivação de exterminar da face da terra a escória, mas sim para calar sua própria sede de sangue. Dexter é um serial killer. Só sente prazer e alívio, matando.
Para despistar as suspeitas de Doakes, que passa a vigiar Dexter, nosso herói anti-herói mergulha de vez na rotina caseira oferecida pela sua namorada Rita e os filhos dela: Astor e Cody. Embotado pela cerveja e pelo sofá da sala de Rita, Dexter se desespera e se esforça para sufocar o caçador que existe dentro dele.
Mas existe um outro psicopata à solta pelas ruas de Miami: um médico que desmembra seus desafetos. Suas vítimas ficam sem os braços, as pernas, as pálpebras, língua e lábios... e vivas!
Quando o namorado de sua irmã Deborah é sequestrado pelo médico, Dexter se envolve numa busca frenética para encontrar Kyle antes das terríveis mutilações e de quebra, se livrar de Doakes.
Querido e Devotado Dexter, de Jeff Lindsay (Editora Planeta do Brasil, 2009) é o segundo livro sobre o polêmico serial killer, Dexter Morgan (leia a resenha do primeiro livro aqui), que inspirou a série de televisão homônima, protagonizada pelo gatíssimo Michael C. Hall.
Eu estava preocupada em não acabar de ler a tempo de preparar a resenha. Esta semana foi particularmente pesada para mim, com MUITO trabalho e eu estava bastante cansada no final de semana. Mas peguei o livro nas mãos e foi impossível parar a leitura. O livro é espetacular, ainda melhor que o primeiro. É como se o autor encontrasse seu elemento e ficasse à vontade dentro da mente doentia de Dexter.
O mais interessante é a experiência de vivenciar a história através da visão peculiar (para dizer o mínimo) de Dexter. Desprovido de emoções, simpatizando com os métodos utilizados pelo médico maluco, Dexter tem um lado tão sombrio que chega a tirar o leitor da zona de conforto e provocar uma incômoda sensação de repúdio misturada à de fascínio.
Quer experimentar uma sensação diferente? Fugir das bem comportadas e previsíveis histórias policiais? Conhecer de perto as engrenagens de uma mente assassina? Este livro é perfeito!
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