Delta de Vênus - Anaïs Nin

sábado, 13 de março de 2010


Uma sucessão de sentimentos ambíguos me assaltou: excitação, asco, surpresa, incredulidade, excitação novamente...

Fantasias eróticas para todos os gostos, até mesmo, os mais secretos.

Um desfile de contos que passam sem pudor por temas obscuros e cheios de tabu, como o incesto, a pedofilia, a orgia, relações homossexuais, voyerismo, sadismo entre outras formas inusitadas de amar.

Mas os contos são curtos, rasos e quando você se envolve com a devassidão da história (porque sexo prende, quer você goste ou não) a história já acabou.

Eu já estava insatisfeita com a qualidade com que Anaïs Nin abordava os contos eróticos descritos no clássico Delta de Vênus, quando sou presenteada com o conto chamado Elena.

Erotismo em doses cavalares, calor por todas as linhas... Anaïs me conquistou com a crueza e a vontade com que Elena buscava o prazer e a satisfação física em vários amantes, de várias formas, sem restrições, sem culpa, sem falso pudor. Bate uma vontade lá no fundo, de ter uma alma livre como a de Elena, de voar para outras paragens, de tranformar  sonhos em realidade.

O conto é uma profusão de experiências incendiárias, que por vezes me escandalizaram (a pudica existente em mim) e outras vezes me inflamaram (a libertina que existe em todas nós!), Elena se perde e se acha em vários braços, camas e possibilidades que tornaram o livro uma experiência única em matéria de leitura erótica. É o conto mais longo, bem escrito e explorado do livro e por si só, valeu a leitura como um todo.

Anaïs Nin escreve sob uma ótica absolutamente feminina e íntima, mas sem poesia, nem requinte. O prefácio do livro diz que foram contos encomendados por um colecionador que pagava por página escrita, e ele pediu especificamente à Henry Miller (amante de Anaïs Nin e escritor de Trópico de Câncer, outro clássico da literatura erótica) que os contos detivessem-se sobre sexo, puro e simples, sem romances, sem floreios.

E é nessa lingugem crua e por vezes áspera para meus ouvidos românticos, que os contos se desenvolvem, às vezes sem pé nem cabeça, outras vezes extremante inverossímeis, outras vezes, sem fim. Mas Elena e sua curiosidade insaciável e impudica, me conquistaram totalmente.
Um clássico da literatura erótica que não pode deixar de ser lido.

O Delta de Vênus é o meu "clássico" do Desafio Literário para o mês de março. Infelizmente, no mês de fevereiro não consegui cumprir com minha leitura e fiquei dividida este mês entre a tentativa de por a leitura em dia e postar o que já estava com a leitura garantida. É óbvio que optei pela alternativa B. Espero que a Vivi não me expulse... Eu sou a ovelha negra da família!

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