Ame o que é seu - Emily Giffin

segunda-feira, 5 de julho de 2010

(...) Mas então ele chamou suavemente o meu nome e colocou a mão dele sobre a minha, encobrindo-a por inteiro. Eu tinha me esquecido de como as mãos dele eram grandes. O quanto elas eram quentes, mesmo no inverno. Eu tentei recolher a minha mão, mas não pude. Pelo menos ele estava segurando minha mão direita, pensei. Minha esquerda estava bem fechada, sob a mesa, ainda em segurança. Eu esfreguei minha aliança de casamento com o polegar e recuperei o fôlego.
(Ame o que é seu, pág 22)

Existe um Leo no passado de cada mulher... e ele vem de mãos dadas com lembranças tórridas, bocas coladas se consumindo, juventude, liberdade e... muita desilusão. Existia um Leo no passado de Ellen e ele dormitava no fundo da nova vida que ela abraçou: casada à pouco mais de três meses com Andy, irmão de sua melhor amiga, Margot; uma bem sucedida carreira de fotógrafa em Nova York, planos de mudar-se para uma mansão em Atlanta...

Mas o passado inesperadamente cruza seu caminho outra vez e na forma de uma proposta de trabalho, Ellen se vê frente à frente com esse amor antigo. Em choque, constata que ainda se sente totalmente perturbada na presença de Leo, envolta no passado mal resolvido e doloroso que compôs o fim da relação dos dois.

Ellen começa a questionar sua vida, sua relação com Andy e seus sentimentos. Os costumes sulistas e tradicionais da família do marido a intimidam, sua vida em Atlanta a entedia, seus pensamentos se voltam para o tempo roubado que passou com Leo em Nova York.

Lealdade, fidelidade, amor pelo marido, paixão pelo ex-amante, laços familiares e uma certa rebeldia interior... tudo isso passa vertiginosamente pela cabeça de Ellen e da díficil decisão que ela tem que tomar...

Ame o que é seu, de Emily Giffin (Novo Conceito - 2010), foi uma leitura arrebatadora. Fechava o livro e me punha a pensar... o que faria no lugar de Ellen? Se o passado batesse em minha porta mais uma vez, eu daria chance ao destino? Como não se identificar com Ellen e com a contradição de sentimentos que existia dentro dela? O livro mexeu comigo porque o que ela viveu ao reencontrar (sem querer) seu grande amor do passado parecia tão plausível de acontecer com qualquer um de nós... saber que é preciso dizer não, mas sentir sua boca, como se tivesse vida própria, dizer sim...

A autora escreve de maneira leve, mas não se engane: o livro é denso e faz você se perder em reflexões que só gente grande pode fazer! Existem momentos engraçados, o livro é narrado em primeira pessoa e Ellen consegue a proeza de rir de si própria com um sarcasmo bastante refinado! Definitivamente o livro me conquistou, o drama de Ellen conviveu comigo por toda a semana e a curiosidade por sua atitude final foi imensa!!!

E se aquele amor bandido aparecesse na sua frente? E dissesse que nunca houve um amor como você? Ahhh... balança, né?

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