Libri di Luca - Mikkel Birkegaard

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ele não sabia, mas tinha herdado um dom paranormal de seu pai. Jon era um Lettore: podia, através da leitura de um texto em voz alta, despertar emoções, influenciar e promover reações físicas nos ouvintes.

Katherine era uma receptora: captava tudo o que a pessoa lesse em seu cérebro, junto com imagens, cores e flashs da memória do leitor e podia influenciar a pessoa que estava lendo, também provocando reações físicas.

Quis o destino que Jon e Katherine se encontrassem quando Luca, pai de Jon e dono da livraria Libri di Luca, faleceu. Jon não sabia do seu dom, Katherine sabia demais. Juntos começaram a desvendar a morte de Luca e descobrir que sua aparência acidental, escondia na verdade, um assassinato premeditado e cruel.

O poder de influenciar os outros através da leitura era cobiçado por pessoas com interesses escusos e Jon era um Lettore poderoso... Katherine era uma receptora excepcional... poderiam eles reunificar a Sociedade da Leitura em torno de um interesse comum? Lettores e receptores unidos novamente? Ou as mortes dos membros da Sociedade e a desconfiança provocariam a cisão final?

Confesso que fiquei confusa com Libri de Luca, de Mikkel Birkegaard (Record - 2010) que virou best seller na Dinamarca e teve seus direitos para o cinema comprados. Com uma trama que prometia muito: imagine um livro que fala da magia da leitura, da leitura influenciando decisões e pessoas. Pense também em uma livraria antiga, com um mezanino, onde livros raros coexistem com lançamentos e novidades. É o sonho anunciado de qualquer amante da leitura, não é?

Eu esperei demais do livro, mas a mágica não aconteceu. Não estou bem certa até agora se entendi o poder dos Lettore em contrapartida aos poderes dos receptores... Jon não é um personagem cativante, por vezes o achei arrogante e frio. Já Katherine e seus cabelos vermelhos, foi um personagem interessante e forte. Do meio para o final a história toma corpo, avança e termina de maneira digna. Sinto até agora, que o autor desperdiçou uma ideia sensacional. As descrições de como Jon colocava cores, texturas e formas na história que lia e fazia tudo ficar tridimensional, me fizeram sonhar... já pensou em ler assim? Com a história se desenrolando ao seu redor? Com todas as suas nuances, perfumes e possibilidades???

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