O Ladrão de Arte - Noah Charney
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Roma: A Anunciação do mestre Caravaggio foi roubado de uma igreja, depois de uma jogada capciosa com o sistema de alarmes local. Os carabinieri (a charmosíssima polícia italiana, que usa uniformes desenhados por Giorgio Armani!) chamam um perito em roubo de arte, Gabriel Coffin, para ajudar na recuperação da obra.
Paris: a curadora do Instituto Malevich, vê incrédula, um quadro do seu acervo no catálogo da famosa casa de leilões Christie's... Geneviève liga para a casa de leilões e diz que o quadro Branco sobre Branco, do pintor moderno russo Malevich é falso, já que o quadro em questão encontra-se no cofre do Instituto. Ou não? Ao abrir o cofre, Geneviève surpresa, entende que o o acervo fora roubado. O detetive especializado em roubo de arte, Jean-Jacques Bizot, figurinha exótica e glutona, é o encarregado de investigar o caso.
Branco sobre Branco é arrematado durante o leilão da Christie's por um museu londrino. Muita tecnologia envolvida na segurança do acervo do museu: alarmes, sensores, câmeras, equipe de segurança, portas automáticas, segredos e cofres... e tudo isso é burlado e o quadro Branco sobre Branco é roubado novamente. O inspetor da Scotland Yard, Harry Wickenden está trabalhando no paradeiro da obra.
Vários investigadores, de países diferentes, companias seguradoras, curadores, peritos e especialistas em arte estão trabalhando para descobrir o que os roubos tem em comum. Amor à arte? Ao ponto de encomendar um roubo e ter uma obra famosa apenas para si? Roubos para financiar ações terroristas, tráfico de drogas e armamentos? Vingança? Perguntas demais e um ladrão com uma genialidade a toda prova.
O Ladrão de Arte, do mestre em História da Arte, Noah Charney (Intrínseca - 2008) foi uma apresentação a um segmento da literatura policial totalmente desconhecido para mim: o do roubo de obras artísticas. Com uma estrutura semelhante ao dos romances policiais típicos, este tipo de crime também possui um delito, uma investigação e a descoberta do culpado. Porém o ladrão de obras de arte é um sujeito romantizado: os roubos não envolvem violência, mas sim uma astúcia e perícia incomuns, afinal, ultrapassar os zilhões de dispositivos de segurança envolvidos na guarda destas peças é quase um fenômeno de estratégia! O processo investigativo também é diferente: somos apresentado ao submundo dos leilões, das companias seguradoras que fazem de tudo para não pagar, e países que tem divisões dentro da própria polícia com pessoal especializado apenas neste segmento.
A tese de doutoramento do autor Noah Charney foi sobre roubos de obras de arte. Talvez por isso, Charney tenha parágrafos onde a leitura é extremamente acadêmica, informativa e técnica ao extremo.
Os vários investigadores dividiram minha atenção e tornaram mais difíceis eu me focar em alguma hipótese explicativa para o motivo e a maneira em que os roubos foram executados. Acho que prefiro a fórmula tradicional de um detetive isolado, ou no máximo, uma dupla.
O mundo e o submundo dos crimes envolvendo obras de arte é fascinante: requintado, elaborado, que envolvem indivíduos inteligentes, com um código de ética incomum e desprovidos de violência. E é muito bem explorado no livro, porque o autor é um expert na área. Fascinante também foi a elucidação dos mistérios contidos em quadros de arte: fiquei boba em como um quadro pode ser "lido", revelando os mistérios, as simbologias e as condições da época.
O final do livro é SURPREENDENTE! Me ganhou totalmente. Se eu fiquei em dúvida no decorrer da trama se estava gostando ou não, esta dúvida acabou no final: o livro é muito bommmmmmmm! O final é de gênio. LEIA.
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