O Último Lobisomem - Glen Duncan
segunda-feira, 7 de maio de 2012
A lua sumia no céu e ele sentia ainda os resquícios lupinos sob sua pele. E sentia o gosto de sangue humano em sua boca. Ele havia devorado alguém.
Jack Marlowe era o último lobisomem da terra.
Durante 200 anos Jack lançou mão de todos os subterfúgios para sobreviver a cada lua cheia que apontava no firmamento, apesar de ser caçado impiedosamente por uma organização que controlava fenômenos ocultos, a WOCOP. Jack viu os outros de sua raça serem dizimados. E agora havia chegado sua vez.
Investido de uma calma e aceitação que o cansaço de viver sob a maldição lhe impunha, resignadamente sabia que não sobreviveria à outra lunação.
Foi quando Talulla surgiu em sua vida. O mito da fêmea loba em carne e sangue na sua frente. E ele sentiu o amor e o animal se agitar de desejo dentro de si. Mas agora podia ser tarde. Toda a WOCOP estava no seu encalço e ele estava encurralado.
O Último Lobisomem, do inglês Glen Duncan (Record - 2012) é uma história de terror que há muito eu não lia. Esqueça os livros de "terror-meia-boca-misturado-com-histórinha-de-amor" e os YAs sobrenaturais que despencam por aí. O Último Lobisomem é um livro para adultos: linguagem crua, rascante, sangue e corpos destroçados aos montes.
O livro é escrito em primeira pessoa e convivemos com Jack que teve sua humanidade devorada pelo lobo interior há muito tempo. A porção animal de Jack sobrepujava o homem e seus sentidos são muito próximos ao animal: sua predileção por cheiros, secreções, sexo anticonvencional e linguajar chulo, por vezes chega a incomodar.
Cheio de desesperança, com um vazio e uma solidão tocantes, Jack é incapaz de se relacionar emocionalmente com outrem, vive de sexo com prostitutas, em fuga constante e com amargura visível em cada frase que pronuncia.
Se você é fã de terror, delicie-se, mas aviso: O Último Lobisomem é para os fortes. Sombrio, desesperado e repleto de uma sensualidade primitiva.
















