Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo – Christiane V. Felscherinow

1510992_717348081643784_262865356233403924_nVocê conhece ela há décadas. Christiane F. é o estandarte de uma geração problemática que se enterrou nas drogas.
O primeiro livro, publicado há 35 anos atrás – Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada, Prostituída foi devastador na crueza em que relatava a vida de perdição da menina Christiane, moradora da Berlin Ocidental.
Com um histórico de desamparo e desestrutura familiar, Christiane desde muito cedo se envolveu com drogas. Dos comprimidos de Valium à maconha e desta para a heroína injetável, foi um pulo.
Envolvida com um namorado também usuário, Christiane logo não conseguia mais bancar o vício e já aos 13 anos, começou a se prostituir.
O livro teve um efeito bombástico na minha vida. Aos 16 anos, fiquei apavorada com o efeito destruidor das drogas na vida de uma pessoa. E, junto com a educação “rédea curta” que tive, foram os principais fatores protetores que me mantiveram longe das drogas quando morei em uma república na época de faculdade e durante toda a minha vida. Curiosidade nunca faltou. Mas o medo sempre foi maior.

Durante todos estes anos, sempre me perguntei que fim havia levado Christiane. A ideia fixa era de que ela não ia durar muito. Que seria encontrada em alguma sarjeta da vida, vítima de overdose.
Mas Christiane surpreendeu todas as expectativas e 35 anos depois do lançamento do primeiro livro, retorna em Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo, de Christiane V. Felscherinow com Sonja Vukovic (Bertrand Brasil – 2014). E é claro que eu PRECISAVA ler. A história deste livro me acompanhou durante toda uma vida, o fantasma de Christiane e seus braços cheio de picadas da droga sempre me atormentaram.
Christiane não me decepcionou. Conseguiu me chocar 35 anos depois. Mesmo agora, madura e com tanta experiência de vida, a leitura me angustiou ao ponto de eu ter que fazer interrupções para conseguir respirar e soltar os braços e pernas, duros de tanta tensão.
A autora segue com sua narrativa franca e sem floreios, contando sua história desde a época da publicação do primeiro livro e todas suas aventuras e desventuras desde então. Tratada como celebridade na época da publicação do livro e do lançamento do filme baseado em suas memórias, Christiane encheu sua conta bancária, o que permitiu que seu vício fosse custeado durante toda a sua vida.
Seus momentos de rockstar lhe renderam encontros com verdadeiras celebridades do mundo da música e cinema, e ela não se faz de rogada em entregar as noitadas de drogas pesadas consumidas em grupo com gente muito, muito famosa.
Não vou contar mais nada. Não posso resumir um pouco o segundo livro sem tirar o seu prazer de leitura. Se você leu Eu, Christiane F. 13 anos, Drogada, Prostituída, você PRECISA ler o desfecho de sua história 35 anos depois. Se você não leu, não sei bem em que mundo você vive, mas sempre é tempo de se virar!
Leia, é leitura obrigatória. Se tem filhos adolescentes, dê o livro para eles lerem. Deveria ser leitura obrigatória nas escolas.

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